terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Primeiro beijo - Blog Mel Fontinnely






Era dia de escola e como não podia deixar de ser, estava em roda trocando papel de carta com minhas amigas. De repente, ele aparece. Quisera poder dizer que vinha em seu cavalo branco, de armadura e espada em punho. Mas em pleno pátio do colégio, a realidade não podia ser outra. Uniforme em branco e preto, veio a pé, após um empurrão – motivador do amigo. Talvez já estivessem me preparando um futuro realista, onde príncipes só figuram em castelos britânicos e os cavalos são apenas acessórios de carros.

O certo é que ele veio até nossa roda. Todas pararam para observar o intruso que se aproximava. De repente, entre olhares assustados, uma mão estendida. Eu? Essa mão é para mim? Sim! Já vínhamos trocando olhares entre as aulas de matemática e português. Um olhar inocente, de admiração, carinho e gentileza. Mas não imaginava que o garoto tímido de olhos verdes teria coragem para se aproximar de mim.

Nos dias que se seguiram, ficávamos juntos, conversando na hora do recreio. Durante as aulas trocávamos recadinhos que iniciavam e terminavam sempre com um desenho de um coração torto com nossas iniciais. Em duas semanas estávamos de mãos dadas.

Todos os dias, rosas em papel eram deixadas em cima da minha mesa. Alternadamente, vinham juntas balinhas de chocolate – era o que conseguíamos comprar com nossa mesada. Trocávamos poemas de autores famosos em que não entendíamos quase nada do conteúdo, apenas buscávamos pela palavra-chave: amor.

Semanas se passaram até o dia em que, de susto, recebi meu primeiro beijo. Virava o rosto para olhar para a rua e ganhei algo confuso entre o gosto de biscoito de chocolate e o suco de uva em caixinha. Olhos abertos, braços esticados, lábios colados. Pronto. Eu, 11 anos de idade, descobria ali o quanto é bom gostar de alguém.

Aquele foi um dos poucos beijos que se seguiram no nosso namoro. O que mais nos importava era estarmos perto um do outro, trocar confidências e juras de amor e dividir as impressões de um mundo que descobríamos juntos, e beijar – ah, beijar!

Namoramos por alguns meses até que ele foi transferido para outra escola. Na despedida, no portão do colégio, trocamos promessas de jamais esquecermos um do outro. Ele levou junto meu primeiro coração partido e deixou comigo a magia inesquecível do primeiro beijo. Outros vieram depois dele, mas a promessa feita no portão me segue até hoje.



Por Mel Fontinnely

Na ternura das palavras de Mel, o segredo do puro amor.
Do descobrir-se apaixonado,
do corresponder amor!




Lápis de Cera














Quando se é criança, quando se tem sonhos,
quando um lápis encerra todo um mundo de faz-de-conta...

As memórias são alentos suaves que nos transportam ao mesmo ponto
de onde paramos de sonhar e viver uma realidade mais gentil!


Ser criança de alma, 
ser menino de olhar, 
ser mais que apenas existir 
maquinalmente palavras fúteis
músicas antigas na vitrola imaginária 
sobre o tapete aos pés do fogão à lenha
Suspiros de uma saudade melancólica
triste realidade olhar o arranha-céu e sonhar
um dia! uma mágoa, mágica dos olhos...
Música elétrica!
Uma mulher que lhe adora.
Um sorriso falso num beijo de estante.
Empoeirado.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Anaísa Nantes - Contadora de Histórias



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"A humanidade precisa 

tanto de histórias 

quanto de pão..."




Grafitagem

Grafite no azul profundo
um surto
no lodo
da dor

em que guardo meu pesar
cansado
profano
de horror

Foi num largo marejado
olhar suado
de gorjeios
Bruma em flor

onde navega esse mar
calado
distante
em torpor

Distante do pelejo surdo
escrito
e descrito
com calor

martelando o descansar
como fôra
como fosse
seu valor

Fonte d'água, fonte-mundo
sub e fundo
de invernos
sem calor

verso lívido de amar
outras eras
umas fotos
sem sabor. 



Quando se perde uma lágrima cristalina dentro das águas do mar, salgado, imenso, manhoso, esquece-se de quanto maior ela se tornou ali, misturada ao inventor do céu, resplandescente em sua incalculável beleza, em sua vida majestosa, sua riqueza sem tamanho mensurável. 


Quando se guarda uma lágrima no peito, não se percebe o seu marejar de olhos, seu suspirar de saudade.


Quero sonhar o sonho dos belos, dos desfavoráveis ao padecer por amor, dos felizes por existência e plenitude da respiração. 


Quero voltar poesia dessa caminhada inconstatável de aprendizados.







Adeus, Meus Sonhos! (Álvares de Azevedo)


Adeus, Meus Sonhos!


(Poema de Álvares de Azevedo)



Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus?

Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!



Postagem Adeus Meus Sonhos

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Saudades... - Por Will


Saudades...:




‎"[...] Saudade de uma paixão é isto:
um jardim inteiro implorando pelo sol dos olhos da pessoa amada,
que o faz desabrochar lindamente tulipas nos lábios,
margaridas no sorriso,
violetas na intimidade e rosas nos coração [...]"

- Trecho do texto de Will - Saudades



Sentimentos


Um soneto de alma fria,
guarnecido de carência
foi cantar sua alegria
numa casta intumescência

De quem se sabe versado 
levado ao topo do extremo
olhar doce desvelado 
seu sombrio - frio - ameno

Sepulcro em alinhavares
como quem ganha dos céus
como quem canta sonares

Dos graciosos bordéus
Têmporas tenras de versos
rimas de amores perversos









Sonetilhos sonetados em sonetos mal versados! 

Inventei mesmo uma rima e joguei tudo ao verbeto. 

Procuro a minha alma, caiu em triste contento. 

Abro meu coração, jogo meus olhos ao vento, 

canto bela solidão e versos de descabimento. 

Foi ligeiro o instante e derradeiro o momento, 

faço rimas de monte e nada de bom e concreto.

Não importam as falanges, importa a leitura do peito. 





Cinzel

Gravida de poemas azuis
ondas marulhentas reclamam - sonantes
Leves beijares mortiços e amantes
deixam teus olhos mortais e senis


Amor cor-de-lama, 
lavada,
grudenta.


Lágrima magenta
de alma
lamenta.


Pari este verso, 
transcrito,
transverso,
inscrito no sangue da manga do chão.


Guardei o passado na sombra do outono,
passado, passeio, passante no sono.


Levei aguardente, absinto, semente.
Planejei não voltar, estou aqui - novamente!


As estações passam por nós como fossem senhoras da nossa história. Primavera, alegria, sorrisos, sonhares. Paixão. Outono é mornidão, calor, carinhos, delicadezas e sofreguidão. Inverno é frio, espera, carícias do tempo para reflexão de existência. Verão vem e passa, fica o gosto de água de coco na boca, na alma, na verdade das mentes que cantam o viver como fosse uma Bossa Nova!


As estações nos condenam por não termos cores. As cores nos fogem ante a tristeza de estarmos sós! A solidão é risonha, companheira de sempre, toma-nos a taça da mão e embriaga-se de filosofias de botequim. Viver é inesgotável aprendizagem com a própria vida!







Levadas

Há a parte que canta
soneto quase mantra
e a parte que grita
uma parte à outra
sou eu, e giro mundo
Gira-Mundo
Giro louro, profundo
insonso profanado 
Uma roda
uma roda que sonda
Lilás brilhante - falada
e gira
e grita
e canta
um mantra
e outra
e soneto
verbeto
um mundo
um lado
um fato


- um gato


miau...


Final!


Escrevi um despejo de palavras, que é como estou. Esvaziar-me não é tarefa fácil, nem tampouco agradável. Mas necessário!
Uma iguaria não deve ser servida em prato sujo. Um grande amor também não.
Seja esse um mal necessário, um bem providencial, um desejo real e exequível. 
Paz e Coragem. Essas são as palavras de ordem.


Atitude!



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ideias compartilhadas: 2ª semana - Frases

Ideias compartilhadas: 2ª semana - Frases:










Frases célebres nos acompanham diaria e continuamente, sejam filosóficas ou de sabedoria popular, mas estão sempre presentes em nossas idéias e em nossas convicções.


Trago aqui uma frase célebre do Poeta Fernando Pessoa:




A liberdade é a possibilidade do isolamento. 


Se te é impossível viver só, 


nasceste escravo.















Esta semana, proponho a ideia das frases,
tornemo-nos célebres em um pensamento.


Sorte e inspiração aos participantes!






Obs.: A imagem é de livre escolha.






Por Kiro Menezes

Um poeta vagabundo: beira do poço



beira do poço


Escorregou na lama
da poça da beira do poço
rastejou arrependido
na trama do seu desgosto
se olhou sujo
meio a contra gosto
se julgou só e injustiçado
um esgoto
achava que era do fundo
a lama da poça
da beira do poço .






Postagem: beira do poço
Por Um Poeta Vagabundo

Poema Dia: Espelho

Espelho



Depois de chorarem juntos,

sorriu para o sorriso dela.
a cumplicidade os tornava idênticos,
ela canhota, ele destro.





Isaac Ruy







segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Amigo Apaixonado


Google Images



Amizade é a ternura da alma
o aconchego da solidão
o enclaustro do que é diverso
encanto do belo
e sedução do improviso

Amizade é o enaltecimento das
qualidades do outro
auxilio da angustia
propensão ao exagero
desespero do comum

Quando se ama um amante
se é pedaço de um inteiro
semelhança de dois estranhos
encontro casual de partes desiguais

Quando se ama um amigo
se é inteiro de duas partes
diferença entre iguais
túnel infinito de afinidades

E amar a amizade é a pureza
em sua mais sublime forma
renuncia-se a si pela alegria do outro
catapulta-se o desejo de um amigo
como se fôra também seu o desejo mais pleno
abdica-se de seu coração para ser
um coração eterno na felicidade intuída.

Quando se tem um amigo apaixonado,
retira-se em resignado ardor
de desejos de alegrias infinitas
a esse nascente e belo novo amor!

Quando se tem uma amiga apaixonada,
guarda-se-a numa redoma cristalina,
silenciam os anseios próprios
e calam-se as vozes, falas finas!

Que quando se ama um amor só seu
esse amor é o amor tão grande
tão maior, que seria Coliseu

não fosse bruma branca desse mar
não fosse Hortência rósea esse amar
e não ganhasse simples todo o céu

não fossem linhas de tão triste cinzel
o Soneto que de longe, feneceu
ante o amor tão maior que o Coliseu!

Ah! Mistérios de cor
furtados dos olhos das Ninfas
Jardins de Eva e Adão
doaram guirlandas às mãos
seus filhos talhados de paixão.

Entregas, odisseias desmedidas
Pelejas de insídios tortuosos
campos inóspitos florescidos
Um olhar e fim! Apaixonados.

Quando se conhece do amor falado
cantado aos ventos doces Sonetos
Quando se sabe aos poetas, dos segredos
Se é amigo, os tem calados
baús secretos guarnecidos
a águas profundas e sim, amigos!

Quando se tem amigos apaixonados,
se é silencio no amor mais lúdico
se é palavra aos  olhares lívidos,
Se é platéia do florescer dos cânticos!




Aos amigos que me guardam na retina.
Com carinho e por amor dessa 
Kiro Apaixonada!



Frases de Fernando Pessoa



"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."


Fernando Pessoa


domingo, 15 de janeiro de 2012

Linda Estrela - Por Leandro Gomes


Google Images



Linda Estrela!!!
Aquela que faz de simples dias
Dias especiais.
Que ilumina
A profunda escuridão.
Você é a razão da beleza
Do encanto e da magia.
Você é a presença da ternura
Com jeito de atrevida
Ou com rosto de Anjo.
... Você é uma estrela
Aos olhos de Deus...
Linda estrela
Repleta de Sabedoria
E compreensão.
Você sabe seduzir
Sabe conquistar...
Sem seu brilho
A beleza não existiria
O encanto não seduziria.
Seus olhos
Hipnotizam a todos a sua volta.
Seu sorriso é a arma
Que acerta o alvo
Chamado Corações,
Que facilmente se torna dona deles.
Porque és um estrela abençoada
Estrela chamada por mim de
Meu Amor... Te Amo muito!!



Não importa o tempo que passe, a idade que tenhamos, os anos que alisem nossos cabelos e nossa face,
Junto de ti, me sentirei criança, menina, mulher, senhora, dama, bailarina, Estrela na nossa aurora!

Amo-te um amor lagoa, calma e cristalina.
Amor sereno de brisa macia, mansa e dengosa.
Seremos juntos a cor e a luz,
juntos, um arco-iris de doçura e verdade.

Amo-te, Leandro Gomes.

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Tomar um Tereré?