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quinta-feira, 17 de março de 2011

Poetas homenageando Poetas


!MUNDO SUSPENSO: 
O NINHO DE CÔVO 


(No dia nacional da Poesia, 
homenageio o Amigo R.B. Côvo)

Procurei saber o significado de Covo (ô) 
Substancialmente: redil de pesca.
Achei pouco e resolvi acrescentar
Por minha conta outros termos,
Sem a pretensão de defini-lo,
Ou conceituar o que seja Côvo,
Apenas sério quis brincar um pouco. 
Covo não provém de coivara
Nem lhe cabe a alcunha de coveiro,
Vez que o Côvo não enterra as palavras.
Ele as cultiva, lavrando-as letra por letra.
Ou até sem elas, ele concretiza poemas.
Logo, Covo é matéria, prima da cova 
Aquela que se abre à semente
Que qualifica o leirão,
Que se abre no terreno
Fazendo nascer a fértil imaginação.
Cova não para receber corpos,
Mas quiçá para chamá-los
A querer mais que pão,
A soprá-los na carne viva
O sentido de mais valia:
Acima do ter está o ser 
Antes que o ser do/ente.
Côvo cova aberta à prosa
Côvo é espaço aberto à poesia
Na lida, cria sua própria curva côncava
Cuia vista de cima cheia de água potável 
Por quem a está bebendo;
Côvo é a forma da concha da ostra
Que recebe grãos de areia
E deles fabrica pérolas.
Curvo é o arremesso da bola
Cravada no cesto, é a mira 
Enterrada é ponto certo 
De qualquer lugar convertido
Dentro da linha da equação.
Do Equador é o feixe de luz
Que atravessa o marco zero.
Côvo é a forma do ninho
Que vigora o ovo.
É a cúpula do planetário
Vista de dentro.
Forma de alcova,
Côvo diz que o amor 
É tal qual um troço, um cabra safado
Danado de troncho que sabe o que quer 
Podendo ser zarolho ou cego,
Mas mudo ele não é, esse danado astuto,
Acaba num leito feito de amor sem moldura
Numa cópula sagrada: homem-poesia,
Nas tintas do Côvo, pintadas no verbo.
Curva pode ser a onda, o garrafão 
Do surfe da vida em tubo ou drop,
Na manobra esperta radical
Seja calmaria ou turbilhão,
Aqui ou no cabo das tormentas.
Trazendo a maré boa, 
Ele se curva, esperançoso,
Apenas
Estende a mão
Entra em cena
E se encanta, até vai junto, 
E fica até mesmo quando 
Fechada a encarnada cortina.
Côvo poderia ser corvo
Mas não é.
É sim,  passarinho
Desses que não abandonam 
O ninho. Anda, voa, vai e volta.
E mais, seu ninho de versos
É feito em árvore fincada
Bem enraigado na poesia.
Côvo é a seiva convale-essência
Que acaba curando a alma,  
É o sangue que corre na veia
É a vida que não se estanca 
Que não rima com covardia.
É cova cavada no peito,
É coração arqueiro
Aliado à  flecha de cupido.
Pode ser anjo pendurado
No céu, na abóbada da igreja.
Mas, se num purgatório, iria prestar não:
De certo, fecharia as portas do inferno.
Covo é cova, abertura cavada no chão 
Para receber sementes
Para plantar ávore
Lançar ideais,
Germinar ideias,
Fazer nascer um pé de Covo, 
Um pé de coragem.
Fez-se o ninho.
Veio o ovo,
Nasceu Côvo.
E pra arrematar tudo, 
Eu acabei tecendo este poema longo. 

2 comentários:

Sil Villas-Boas disse...

Lindo poema.
Bjusss
Sil

Kiro Menezes disse...

^_^•

Também me encantou!!!

Bjss...

Tomar um Tereré?

 
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